Os produtores rurais, hoje, precisam conciliar a produtividade à preservação ambiental, embora sempre tenham enfrentado inúmeras dificuldades para se manterna atividade. O aumento da consciência ambiental e também da vigilância dosórgãos ambientais, com exigência de licenciamento para as novas e as antigasunidades produtivas, têm contribuído para busca de alternativas para algunsproblemas da agropecuária. O destino ambientalmente correto dos resíduosproduzidos nessa atividade é um deles e vem exigindo do produtor, investimentos,além de atenção.As carcaças de animais mortos e os resíduos de parição demandavam doprodutor rural um esforço extra para eliminá-los. Uma alternativa, que vem sendolentamente adotada, é a compostagem. Porém, a primeira dificuldade na aceitaçãodessa tecnologia está, justamente, no preconceito da população de que carcaçasdesprendem mau cheiro e atraem moscas.As carcaças dos animais mortos antes eram eliminados em fossas, queimadasou enterradas, exigindo do produtor um trabalho pesado, quando não eramsimplesmente abandonadas em valas ou mato adentro. Nesse caso, realmente, nãosó com produção de mau cheiro mas com atração e até criação de grandequantidade de moscas varejeiras.O uso de fossas, assim como o costume de enterrar as carcaças, além docusto tem como objeção, também, a possibilidade da contaminação do lençolfreático. A incineração apresenta ao lado do custo econômico, ainda, alto custoambiental pela mineralização da matéria orgânica (transformação em cinzas) comemissão de gases nocivos, principalmente quando se utiliza o óleo diesel comocombustível.A compostagem é um método econômico e ambientalmente correto de destinodos animais mortos por permitir a reciclagem desses resíduos orgânicos, exigindomenor uso de mão de obra, quando comparado a alguns dos outros métodos,embora necessite de critérios rígidos para sua execução, mas é uma alternativaviável para o criador. Conduzida corretamente, a compostagem não causa poluiçãodo ar ou das águas, permite manejo para evitar a formação de odores, destróiagentes causadores de doença, fornece como produto final um composto orgânicoque pode ser utilizado no solo, portanto recicla nutrientes e apresenta custoscompetitivos com qualquer outro sistema de destinação de carcaças, que busquemresultadose eficiência.
Os produtores rurais, hoje, precisam conciliar a produtividade à preservação ambiental, embora sempre tenham enfrentado inúmeras dificuldades para se manter na atividade. O aumento da consciência ambiental e também da vigilância dos órgãos ambientais, com exigência de licenciamento para as novas e as antigas unidades produtivas, têm contribuído para busca de alternativas para alguns problemas da agropecuária. O destino ambientalmente correto dos resíduos produzidos nessa atividade é um deles e vem exigindo do produtor, investimentos, além de atenção.
As carcaças de animais mortos e os resíduos de parição demandavam do produtor rural um esforço extra para eliminá-los. Uma alternativa, que vem sendo lentamente adotada, é a compostagem. Porém, a primeira dificuldade na aceitação dessa tecnologia está, justamente, no preconceito da população de que carcaças desprendem mau cheiro e atraem moscas.
As carcaças dos animais mortos antes eram eliminados em fossas, queimadas ou enterradas, exigindo do produtor um trabalho pesado, quando não eram simplesmente abandonadas em valas ou mato adentro. Nesse caso, realmente, não só com produção de mau cheiro mas com atração e até criação de grande quantidade de moscas varejeiras.
O uso de fossas, assim como o costume de enterrar as carcaças, além do custo tem como objeção, também, a possibilidade da contaminação do lençol freático. A incineração apresenta ao lado do custo econômico, ainda, alto custo ambiental pela mineralização da matéria orgânica (transformação em cinzas) com emissão de gases nocivos, principalmente quando se utiliza o óleo diesel como combustível.
A compostagem é um método econômico e ambientalmente correto de destino dos animais mortos por permitir a reciclagem desses resíduos orgânicos, exigindo menor uso de mão de obra, quando comparado a alguns dos outros métodos, embora necessite de critérios rígidos para sua execução, mas é uma alternativa viável para o criador. Conduzida corretamente, a compostagem não causa poluição do ar ou das águas, permite manejo para evitar a formação de odores, destrói agentes causadores de doença, fornece como produto final um composto orgânico que pode ser utilizado no solo, portanto recicla nutrientes e apresenta custos competitivos com qualquer outro sistema de destinação de carcaças, que busquem resultados e eficiência.
A COMPOSTEIRA
A composteira pode ser construída com madeiras brutas (troncos) ou beneficiada, com menor tempo de vida útil, ou alvenaria de tijolos ou blocos de cimento pré-fabricados.
Uma recomendação fundamental está na impermeabilização do solo ou na construção de estrutura acima dele, evitando a contaminação dos lençóis d’água.
A construção de uma estrutura com câmaras de 2x2m de área (máximo para manejo manual), com paredes elevadas até 1,60m de altura e telhado de abas largas a 2 ou 2,5m de altura, facilita o manejo dos resíduos no seu interior (Figura 2). A parte superior deve ser aberta, protegida ou não por tela de aviário, permitindo total ventilação.
Essa estrutura simples deve garantir que a pilha feita com as carcaças e o material aerador possa ser formada com facilidade, ficando protegia da chuva e da ação de animais (carnívoros e roedores).
A composteira é destinada ao uso na mortalidade normal que ocorre em uma criação. Não serve para mortalidade catastrófica, resultante de calor excessivo, problemas com instalações, perdas por doenças, etc. Nesse caso, deve-se montar uma estrutura em separado, emergencial, seguindo todos os passos recomendados, em local próximo à estrutura definitiva.
O MATERIAL AERADOR E FONTE DE CARBONO
Como material aerador e fonte de carbono pode-se usar cama de aviário, maravalha, serragem de grânulos grossos, palhadas de feijão e outras culturas, casca de arroz, casca de amendoim, etc.. O pó de serra não deve ser usado sozinho por não permitir aeração, embora seja uma boa fonte de carbono, devendo-se misturá-lo a outro resíduo aerador.
Quando se usa cama de aviário, tem-se a vantagem da ação de ácaros, cascudinhos e outros organismos existentes nesse material, que também atuam como decompositores.
No caso de uso de material aerador novo (cascas, palhadas) é necessário proteger a estrutura dos animais carnívoros pois eles podem ser atraídos pelo cheiro das carcaças. Caso seja usada cama de aviário esse inconveniente não ocorre.
A ÁGUA
A água é adicionada em quantidade suficiente para manter o material úmido, pois a mistura nunca deve ficar saturada de água. As quantidades de água recomendadas devem equivaler, em litros, no mínimo, à metade do peso das carcaças, ou mais, dependendo da umidade relativa do ar de cada região. Sempre deve-se proteger as pilhas de compostagem da entrada de água da chuva que poderiam ser em excesso.
O PROCESSO DE COMPOSTAGEM
O processo de compostagem, não é automático, pois trata-se de um processo biológico, que é afetado por fatores que podem influenciar a sua atividade microbiológica, por isso esses fatores devem ser controlados e torna-se necessário dar e manter as condições do meio para que essa atividade ocorra bem.
Nesse processo ocorre a fermentação das carcaças constituídas de musculatura (proteína) e ossos (ricos em cálcio) que serão mantidos úmidos e aerados, por digestão pelas bactérias e fungos.
Observa-se na compostagem a elevação da temperatura após 2 a 3 dias do início do processo, o que permite a destruição de agentes patogênicos. Essa temperatura se mantém acima de 55ºC por 4 a 5 dias destruindo a maioria dos patógenos. Testes realizados mostraram a destruição de bactérias como a que causa a erisipela (Erysipela rhusiopathiae) e as causadoras de diarréias (como a Salmonella sp.), além de vírus como o da doença de Aujeszky, Gumboro e New Castle.
TEMPO DE FERMENTAÇÃO
O tempo de fermentação vai depender do tipo de carcaça alojada. Para carcaças de frangos de corte pode-se usar dois períodos de 10 dias, a partir da última carcaça alojada. Para poedeiras e matrizes, dois períodos de 15 a 30 dias.
Para carcaças de suínos e bovinos, um período de 120 dias após o fechamento da composteira.
Na compostagem de carcaças não se pode movimentar a pilha que está sendo processada, pois isto exporia as carcaças parcialmente compostadas, gerando desequilíbrio desse pequeno ambiente alterando a temperatura, apressando a evaporação, podendo ocorrer maus odores e atração de animais. A única modificação feita é quando se agregam novas carcaças. A pilha fica sem movimento pelo tempo recomendado para cada espécie, até que os ossos menores e mais flexíveis sejam decompostos e a temperatura comece a cair.
O manejo da compostagem requer pouco tempo por dia, mas é necessário seguir criteriosamente os passos da operação, pois o seu manejo errado poderá realmente resultar na produção de odores desagradáveis e na atração de moscas.
Doralice Pedroso-de-Paiva – Med. Vet. Ph.D.
Embrapa Suínos e Aves – Concórdia,SC
Excelente trabalho da Médica Veterinária Ph.D Doralice Pedroso de Paiva da Embrapa Suínos e Aves sobre compostagem, incluíndo projeto completo para construção de composteira.
A compostagem é um método econômico e ambientalmente correto de destino dos animais mortos por permitir a reciclagem desses resíduos orgânicos, exigindo menor uso de mão de obra, quando comparado a alguns dos outros métodos, embora necessite de critérios rígidos para sua execução, mas é uma alternativa viável para o criador. Conduzida corretamente, a compostagem não causa poluição do ar ou das águas, permite manejo para evitar a formação de odores, destrói agentes causadores de doença, fornece como produto final um composto orgânico que pode ser utilizado no solo, portanto recicla nutrientes e apresenta custos competitivos com qualquer outro sistema de destinação de carcaças, que busquem resultados e eficiência.

Os produtores rurais, hoje, precisam conciliar a produtividade à preservação ambiental, embora sempre tenham enfrentado inúmeras dificuldades para se manter na atividade. O aumento da consciência ambiental e também da vigilância dos órgãos ambientais, com exigência de licenciamento para as novas e as antigas unidades produtivas, têm contribuído para busca de alternativas para alguns problemas da agropecuária. O destino ambientalmente correto dos resíduos produzidos nessa atividade é um deles e vem exigindo do produtor, investimentos, além de atenção.
As carcaças dos animais mortos antes eram eliminados em fossas, queimadas ou enterradas, exigindo do produtor um trabalho pesado, quando não eram simplesmente abandonadas em valas ou mato adentro. Nesse caso, realmente, não só com produção de mau cheiro mas com atração e até criação de grande quantidade de moscas varejeiras.
O uso de fossas, assim como o costume de enterrar as carcaças, além do custo tem como objeção, também, a possibilidade da contaminação do lençol freático. A incineração apresenta ao lado do custo econômico, ainda, alto custo ambiental pela mineralização da matéria orgânica (transformação em cinzas) com emissão de gases nocivos, principalmente quando se utiliza o óleo diesel como combustível.
A COMPOSTEIRA
A composteira pode ser construída com madeiras brutas (troncos) ou beneficiada, com menor tempo de vida útil, ou alvenaria de tijolos ou blocos de cimento pré-fabricados.
Uma recomendação fundamental está na impermeabilização do solo ou na construção de estrutura acima dele, evitando a contaminação dos lençóis d’água.
A construção de uma estrutura com câmaras de 2x2m de área (máximo para manejo manual), com paredes elevadas até 1,60m de altura e telhado de abas largas a 2 ou 2,5m de altura, facilita o manejo dos resíduos no seu interior (Figura 2). A parte superior deve ser aberta, protegida ou não por tela de aviário, permitindo total ventilação.
Essa estrutura simples deve garantir que a pilha feita com as carcaças e o material aerador possa ser formada com facilidade, ficando protegia da chuva e da ação de animais (carnívoros e roedores).
A composteira é destinada ao uso na mortalidade normal que ocorre em uma criação. Não serve para mortalidade catastrófica, resultante de calor excessivo, problemas com instalações, perdas por doenças, etc. Nesse caso, deve-se montar uma estrutura em separado, emergencial, seguindo todos os passos recomendados, em local próximo à estrutura definitiva.
O MATERIAL AERADOR E FONTE DE CARBONO
Como material aerador e fonte de carbono pode-se usar cama de aviário, maravalha, serragem de grânulos grossos, palhadas de feijão e outras culturas, casca de arroz, casca de amendoim, etc.. O pó de serra não deve ser usado sozinho por não permitir aeração, embora seja uma boa fonte de carbono, devendo-se misturá-lo a outro resíduo aerador.
Quando se usa cama de aviário, tem-se a vantagem da ação de ácaros, cascudinhos e outros organismos existentes nesse material, que também atuam como decompositores.
No caso de uso de material aerador novo (cascas, palhadas) é necessário proteger a estrutura dos animais carnívoros pois eles podem ser atraídos pelo cheiro das carcaças. Caso seja usada cama de aviário esse inconveniente não ocorre.
A ÁGUA
A água é adicionada em quantidade suficiente para manter o material úmido, pois a mistura nunca deve ficar saturada de água. As quantidades de água recomendadas devem equivaler, em litros, no mínimo, à metade do peso das carcaças, ou mais, dependendo da umidade relativa do ar de cada região. Sempre deve-se proteger as pilhas de compostagem da entrada de água da chuva que poderiam ser em excesso.
O PROCESSO DE COMPOSTAGEM
O processo de compostagem, não é automático, pois trata-se de um processo biológico, que é afetado por fatores que podem influenciar a sua atividade microbiológica, por isso esses fatores devem ser controlados e torna-se necessário dar e manter as condições do meio para que essa atividade ocorra bem.
Nesse processo ocorre a fermentação das carcaças constituídas de musculatura (proteína) e ossos (ricos em cálcio) que serão mantidos úmidos e aerados, por digestão pelas bactérias e fungos.
Observa-se na compostagem a elevação da temperatura após 2 a 3 dias do início do processo, o que permite a destruição de agentes patogênicos. Essa temperatura se mantém acima de 55ºC por 4 a 5 dias destruindo a maioria dos patógenos. Testes realizados mostraram a destruição de bactérias como a que causa a erisipela (Erysipela rhusiopathiae) e as causadoras de diarréias (como a Salmonella sp.), além de vírus como o da doença de Aujeszky, Gumboro e New Castle.
TEMPO DE FERMENTAÇÃO
O tempo de fermentação vai depender do tipo de carcaça alojada. Para carcaças de frangos de corte pode-se usar dois períodos de 10 dias, a partir da última carcaça alojada. Para poedeiras e matrizes, dois períodos de 15 a 30 dias.
Para carcaças de suínos e bovinos, um período de 120 dias após o fechamento da composteira.
Na compostagem de carcaças não se pode movimentar a pilha que está sendo processada, pois isto exporia as carcaças parcialmente compostadas, gerando desequilíbrio desse pequeno ambiente alterando a temperatura, apressando a evaporação, podendo ocorrer maus odores e atração de animais. A única modificação feita é quando se agregam novas carcaças. A pilha fica sem movimento pelo tempo recomendado para cada espécie, até que os ossos menores e mais flexíveis sejam decompostos e a temperatura comece a cair.
O manejo da compostagem requer pouco tempo por dia, mas é necessário seguir criteriosamente os passos da operação, pois o seu manejo errado poderá realmente resultar na produção de odores desagradáveis e na atração de moscas.
Doralice Pedroso-de-Paiva – Med. Vet. Ph.D.
Embrapa Suínos e Aves – Concórdia,SC

CONTINUAR (PARTE 2)